Desertores

Uma sociedade perigosa onde a violência policial se tornou rotina

(Rodong Sinmun, terça-feira, 3 de março de 2026, página 6)

Em geral, a polícia cumpre a missão de garantir a segurança do Estado e a ordem social.

No entanto, nos Estados Unidos, a violência praticada pela polícia tornou-se algo cotidiano. A polícia desse país saca armas e dispara com frequência. Pessoas inocentes são atingidas por tiros da polícia e caem sem sequer entender o motivo.

Todos os anos, pelo menos 300 mil pessoas sofrem violência policial, entre elas cerca de 100 mil ficam feridas e, somente em 2024, mais de 1.360 morreram baleadas.

Esses números são apenas parte dos dados que mostram de forma direta os abusos arbitrários da polícia norte-americana. No site chamado “Mapa da Violência Policial” é possível conhecer em detalhe os atos de agressão e assassinato cometidos pela polícia.

Os Estados Unidos são um país onde grandes tiroteios ocorrem com frequência. Todos os anos, em média, cerca de 40 mil pessoas morrem por disparos de armas de fogo. Incidentes com armas também ocorrem frequentemente dentro das escolas. Os pais não se preocupam apenas com o rendimento escolar de seus filhos, mas temem ainda mais que eles sejam vítimas de violência armada nas escolas.

Como até mesmo a polícia lidera atos de violência com armas de fogo, a situação tornou-se extremamente grave.

A polícia desse país também é conhecida por discriminar severamente pessoas de origem não branca.

A Associação de Advogados dos Estados Unidos e a Universidade de Stanford divulgaram, em junho de 2024, um relatório intitulado “Preconceito no Sistema de Justiça Criminal”, no qual afirmam que o preconceito racial nos Estados Unidos está presente em várias etapas do processo penal, incluindo prisão, fiança, acusação e sentença. Em comparação com brancos envolvidos em circunstâncias semelhantes de violação da lei, pessoas de origem africana e latino-americana são presas com mais facilidade pela polícia, ficam mais frequentemente em detenção antes do interrogatório e recebem punições mais severas. O tratamento discriminatório torna-se ainda mais grave quando se trata de infrações relacionadas ao trânsito, drogas ou crimes patrimoniais.

Em uma pequena aldeia rural do estado do Mississippi, onde cerca de 76 por cento dos moradores são afro-americanos, a violência policial ocorre sem cessar.

Há alguns anos, na cidade de Los Angeles, um policial aplicou seis descargas elétricas em um homem negro de 31 anos sob suspeita de violação das regras de trânsito, provocando um ataque cardíaco. A vítima foi levada ao hospital, mas acabou morrendo. Poucos dias depois, na cidade de Memphis, no estado do Tennessee, a polícia retirou à força de seu carro um homem negro de 29 anos sob a alegação de excesso de velocidade e o espancou brutalmente por vários minutos. Ele também perdeu a vida.

O caso ocorrido em 2024 no estado de Ohio, no qual um homem negro foi brutalmente morto, é um exemplo representativo da crueldade da polícia norte-americana. Na ocasião, a polícia torceu seu braço, derrubou-o no chão e colocou algemas, pressionando seu pescoço com o joelho. Mesmo quando o homem negro, com o pescoço comprimido, repetia que não conseguia respirar, os policiais permaneceram sentados sobre ele por mais de cinco minutos, levando-o finalmente à morte.

De acordo com dados disponíveis, nos Estados Unidos a taxa de morte de pessoas afro-americanas é três vezes maior que a de brancos, enquanto entre indígenas é 2,2 vezes maior e entre latino-americanos é 1,3 vez maior.

Como lamentou um ativista de direitos humanos do país, a cultura da violência nos Estados Unidos já se infiltrou profundamente há muito tempo nos setores de aplicação da lei, incluindo a polícia. Como os responsáveis por crimes não recebem punição, a violência policial torna-se ainda mais intensa.

As autoridades judiciais dos Estados Unidos protegem e defendem obstinadamente os policiais, apresentando pretextos absurdos como “legítima defesa” ou “erro durante o exercício da função”. Nos últimos anos ocorreram sucessivos casos de assassinato cometidos por policiais, mas repetidamente foram proferidas decisões de absolvição. Alguns foram considerados culpados, mas continuam trabalhando em seus cargos.

No banco oficial de dados de estatísticas de mortalidade do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, mais da metade dos casos de homicídio cometidos pela polícia estão registrados de forma incorreta como “homicídio comum ou suicídio”.

Um relatório das Nações Unidas afirmou que todos os anos o número de mortes causadas pela polícia chega a mais de mil casos, mas apenas cerca de 1 por cento dos policiais envolvidos são processados. O documento advertiu que, se os Estados Unidos não reformarem as regras sobre o uso da força policial de acordo com os padrões internacionais, inúmeros assassinatos continuarão ocorrendo.

Há alguns anos, um texto publicado em um site com o título “O fim da cultura de violência policial” revelou que o “edifício” da segurança nacional dos Estados Unidos foi construído sobre a cultura e a tradição da violência institucional. Outro artigo intitulado “Prisões por cidadãos: resultados democráticos do controle do crime nos Estados Unidos” lamentou que o sistema de responsabilização por atos ilegais da polícia seja praticamente inexistente.

Assim, nos Estados Unidos, indivíduos uniformizados que receberam licença para matar capturam pessoas enquanto afirmam “manter a ordem social”. Trata-se, de fato, de uma sociedade extremamente instável na qual qualquer pessoa vive sempre à beira da morte.

Repórter de redação Hŏ Yong Min

(imagem retirada desse link: https://observador.pt/2023/01/28/fotogaleria-protestos-contra-a-violencia-policial-multiplicam-se-nos-eua-e-pedem-justica-para-tyre-nichols/)