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Kim Yo Jong afirma que Coreia do Sul vive um “sonho tolo” ao esperar diálogo

A seguir, a declaração de Kim Yo jong, vice-diretora do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, publicada pela ACNC em 14 de março de 2025:

A Coreia do Sul está sonhando acordada, e no pior momento possível.

No dia 12, a imprensa sul-coreana divulgou especulações de que, na próxima cúpula entre a Coreia Popular e a Rússia, poderíamos transmitir algum recado aos Estados Unidos. Isso é um exemplo claro de ilusão sem fundamento.

Sonhar demais leva a devaneios inúteis e, insistir em conjecturas sem base, acaba mergulhando quem as faz em contradições insolúveis.

Por que motivo enviaríamos qualquer mensagem aos Estados Unidos?

Reafirmo diante do mundo, especialmente a quem acredita nas versões distorcidas da mídia sul-coreana, que não temos nenhuma intenção de sentar à mesa com os EUA.

Já deixei claro que relações pessoais entre líderes não influenciarão políticas, e que, enquanto Washington se apegar à mentalidade ultrapassada de outros tempos, qualquer encontro ficará apenas no campo da esperança deles.

Não temos interesse em negociações presas ao passado, e não há necessidade de explicar mais o porquê.

Aproveito também para esclarecer outra distorção: a alegação de que o Sul desmontou os alto-falantes instalados na fronteira e que nós teríamos feito o mesmo.

Recentemente, tentam passar à opinião pública a ideia de que estão adotando gestos de boa vontade e medidas conciliatórias para restaurar as relações intercoreanas. O próprio presidente sul-coreano disse que, como eles retiraram primeiro os alto-falantes, nós teríamos desmontado alguns também e que ações como essa ajudariam a melhorar os laços entre Norte e Sul.

O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul chegou a anunciar que detectou a remoção de alto-falantes por nossa parte. Autoridades e especialistas do Sul, então, se apressaram em chamar isso de resposta positiva, sinal de mudança ou gesto de boa vontade.

A verdade é simples: isso não passa de especulação infundada e manipulação de opinião pública. Não desmontamos nenhum alto-falante na fronteira, nem pretendemos fazê-lo.

Ao que parece, o atual governo sul-coreano quer apagar medidas unilaterais tomadas na era Yoon Suk-yeol e, ao mesmo tempo, receber crédito como se tivesse feito algo grandioso, buscando arrancar algum tipo de resposta nossa.

Quanto aos exercícios militares conjuntos, também fingem falar em ajustes ou adiamentos para aparentar esforços de aliviar tensões, mas nada disso merece elogio. É perda de tempo.

O objetivo real de Seul ao dourar sua nova política para o Norte e espalhar essa imagem é simples: se conseguirem nossa resposta, ótimo; se não, ao menos poderão posar de promotores da diminuição de tensões e jogar sobre nós a culpa pelo agravamento da situação, buscando apoio externo.

Mas esse cálculo é ilusório, um sonho tolo que não nos desperta qualquer interesse.

Não importa se desmontam alto-falantes, suspendem transmissões ou reduzem treinamentos militares, não nos importamos. O tempo das encenações enganadoras já passou.

A política de Seul para o Norte não mudou nem mudará. Colocar véu sobre algo sujo não elimina o mau cheiro; fingir virtude não apaga intenções hostis.

Os exercícios militares conjuntos EUA-Coreia do Sul, que começam em 18 de agosto, vão mais uma vez confirmar, sem margem para dúvidas, a verdadeira hostilidade do Sul.

Já declaramos várias vezes que não temos qualquer intenção de melhorar relações com a Coreia do Sul, fiel vassala e aliada leal dos Estados Unidos, e que essa posição será incorporada à nossa Constituição. É uma medida justa.

Afinal, a Constituição sul-coreana prevê a absorção e unificação forçada da Coreia Popular, mantém um grupo chamado Comitê Consultivo Nuclear EUA-Coreia voltado para ataques nucleares preventivos contra nós, realiza regularmente simulações e treinamentos de caráter agressivo e insiste na retórica absurda da desnuclearização, negando frontalmente a nossa Constituição.

Essa é a realidade nua e crua das relações entre Norte e Sul.

Diante de um Estado hostil, perigoso e de baixo nível, nossa posição precisa ser clara: a Coreia do Sul deve ser identificada, em nossa legislação, como a ameaça mais inimiga à nossa existência, e essa definição deve ser permanente.

Esperar ou prever qualquer mudança em nossa percepção sobre o país mais hostil do mundo é como esperar que floresçam rosas no deserto.